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F-104 italiano é incorporado ao Museu Aeroespacial

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Foi incorporado nesta quinta-feira (17/04), a mais nova peça do acervo do Museu Aeroespacial no Rio de Janeiro. Trata-se de um Fiat F-104S ASA M, operado pela Força Aérea Italiana até 2004 e doado ao Musal, onde chegou em dezembro de 2007.

Ao contrário de outras solenidades de incorporação de aeronaves, esta não foi realizada no hangar 1, ao invés, foi usado o hangar de restauração, ele próprio fruto de um trabalho de quase dois anos de recuperação.

O diretor da instituição, brigadeiro Márcio Bhering, aproveitou para lembrar durante a solenidade que, apesar de haver no Brasil cerca de dois mil museus e centros culturais, apenas dois são dedicados a aviação e atendem aos padrões recomendados pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Artístico Nacional): o Asas de um Sonho, em São Carlos, e o próprio Musal, ligado ao comando da Aeronáutica. O brigadeiro Bhering também agradeceu a Aeronautica Militare Italiana, o Comando-geral de Apoio da FAB e ao adido aeronáutico do Brasil na Itália, coronel-aviador Werner pelo esforço no processo de aquisição da aeronave.

Na parte final da cerimônia, o brigadeiro Ivan Frota contou como foi sua experiência em pilotar um F-104 na Bélgica, em 1969, durante o processo de escolha do interceptador para a FAB, vencido pelo Mirage IIIE. No encerramento, um F-5EM do 1o Grupo de Caça da base aérea de Santa Cruz fez passagens sobre a pista dos Afonsos em frente aos convidados.

Supersônico foi um ícone da Guerra Fria nos anos 1960

Desenvolvido nos anos 1950 pela então Lockheed (hoje Lockheed Martin), o projeto do XF-104 surgiu por iniciativa da própria empresa que, através de Clarence L. "Kelly" Johnson, um dos mais respeitados projetistas aeronáuticos da história, ofereceu à Força Aérea Americana uma opção de caça de superioridade aérea mais simples e barata que seus irmãos da série Century (F-100, F-101, F-102, F-105 e F-106). Ainda assim, guardaria características de alta velocidade, ascensão e manobrabilidade.

Em março de 1952 Johnson e sua equipe iniciaram estudos que, dois anos mais tarde, resultaram no vôo do primeiro protótipo na base de Edwards, Califórnia. Em março de 1956 foi assinado contrato para a aquisição 146 F-104A. Ao todo a USAF adquiriu 296 Starfighters nas variantes A, B, C, D e F. Cerca de 40% da estimativa inicial de 722 unidades. Apesar de veloz, o caça não possuia alcance suficiente e carregava pouco armamento. Durante a segunda metade dos anos 1960 a USAF passou seus F-104 para a Guarda Aérea Nacional, onde encerraram sua carreira em solo americano na década seguinte.

Sucesso fora dos EUA garantiu sobrevivência do projeto

Porém, do outro lado do Atlântico, ainda em meados dos anos 1950, a Otan viu-se obrigada a reequipar sua frota de caças capaz de transportar armas nucleares táticas. A escolha recaiu sobre o caça da Lockheed, adotado primeiro pela então Alemanha Ocidental seguida de Canadá, Holanda, Bélgica e Itália. O Starfighter seria produzido sob licença por consórcios locais - Dornier, Fokker, Fiat, Canadair, entre outros - e em grandes quantidades. Fora da Otan, o Japão também montou o F-104, contribuindo para atingir a marca total de 2.579 células, das quais, ironicamente, pouco mais de dez porcento utilizadas nos EUA, seu país de origem.

O exemplar do Musal é um F-104S ASA M - S em virtude do míssel ar-ar Sparrow. Originalmente ele é um modelo S, a versão mais potente já construída daquele avião. Foram entregues à AMI (Força Aérea Italiana) 206 unidades entre 1969 e 1979 além de outras quarenta à Turquia. Aquele modelo também foi a última variante do Starfighter a ser produzida.

Em fins de 1984, todos os S remanescentes começaram a ter seu sistema de armamento revitalizado passando a incorporar a sigla ASA que significa Aggiornamento Sistema d'Arma (atualização do sistema de armas). Em 1996, foi a vez de substituição de componentes estruturais, trem de pouso, instalação elétrica e parte da aviônica. Mais uma letra foi adicionada, desta vez o M indicando modernizado.

O Museu Aeroespacial da Aeronáutica fica situado no Campo dos Afonsos, Sulacap, Av. Marechal Fontenelle, 2000, na cidade do Rio de Janeiro. Funciona de terça a sexta-feira das 09h00 às 15h00, sábados, domingos e feriados das 09h30 às 16h00. Os telefones para contato são (21) 2108-8954 e (21) 2108-8955. Seu endereço na internet é http://www.musal.aer.mil.br

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